quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Jesus está triste no Natal dos salvos!


A festa é minha, por meu nascimento. Se foi em dezembro é irrelevante. Esperei os convidados, mas não chegaram. Seria desprezo? É... um mundo moderno, avançado. Louvar não é mais a praia de muitos. Se eu precisasse de você, naquele dia na manjedoura... Se o repertório não te agrada, por que não sugerir? Ah! Andas faltando aos ensaios...

Entendo os que fazem uma Ceia neste dia, especialmente se a família estiver reunida. Mas por que na hora exata do culto? Aliás, hora do culto em dezembro sempre tem festa ultimamente. É um problema de prioridades... Entenda, o dia tem 24h e por que tem que ser nesse horário? Primeiro você vai ao culto, depois faz sua Ceia. E tome cuidado com a gula, que é um grande pecado. Leia o manual!

E você que não veio porque não comprou roupa nova? A festa é sua ou minha? Quem tem roupas de justiça lavadas no meu sangue, não coloca em primeiro lugar a roupa nova deste mundo! Ou sua roupa nova o faz mais crente, mais santo, mais justo? Para sua informação estou distante de tanta gente bem arrumada e perfumada...

Ainda tem o outro que foi visitar a decoração natalina dos shoppings justo neste dia, quando estão disponíveis para visitação dezembro todo! Dias das mães quando você não tem mãe é uma barra. Dia dos Pais quando se é órfão é complicado. Agora ter um Salvador e não comemorar seu nascimento é para adoradores fajutos!

Por mais incrível que pareça muitos de vocês criticam quem enche a cara no Natal. Qual a diferença? Você sabe onde está a verdade e não dá muita importância! E Natal é só uma vez no ano. Agora só em 2015.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O que não mudou em 2014 no mundo evangélico...

Incrível! Uma lista de 2013 pode ser repetida em 2014 sem nenhuma ressalva. Aliás, estava no forno para ser publicada desde 01/12/2014. Tanto tinha certeza que nada mudaria que apenas agendei no Blogger e inseri alguns outros detalhes. Lamentavelmente, não mudaram:

1) A impressão de que os pastores adoram pessoas que os bajulem e se comprazem em estar cercados do maior número possível de aduladores! Com o Facebook a coisa se adensou. O que tem de líderes adulando seu superior... A meritocracia tem descido a níveis críticos... É o episódio do homem "sim". Aquele que só assente sem nenhum raciocínio crítico, por medo, omissão, dependência ou ignorância.

2) O desfoque do que é missão. A Igreja não faz missão, ela é a missão! Construir uma igreja, evangelizar aos domingos, manter uma vida irrepreensível, custear missões transnacionais, ensinar a Palavra, orar, jejuar são aspectos de uma mesma missão, um tão importante quanto o outro! Infelizmente, o tema se consolidou apenas como chamariz para melhorar a arrecadação. Na ausência de dízimos e ofertas ou na conversão destes em contribuições missionárias disfarçadas... Uma das marcas deste ano foi a revelação de que pastores que já pregaram no maior evento missionário do Brasil, o GMHU, já o fizeram drogados e bêbados.



3) A teimosia em pregar sobre a mulher do fluxo de sangue. De 52 possibilidades de pregações ouvidas aos domingos, 20 são sobre o assunto diretamente e 20 são citações relacionadas. Por que se gosta tanto da história é um mistério que persiste há décadas... Se somarmos os outros cultos, aí a coisa fica crítica!

4) A teimosia em pregar sobre o Novo Testamento. Novamente dos 52 domingos de um ano, em 45 teremos pregações sobre esta parte da Bíblia. Não sabemos o porquê! Minha teoria particular é que dá muito mais trabalho pregar em Jeremias ou Isaías.

5) A intensa repetição de hinos nos eventos. Os orgãos se sucedem mas os hinos continuam os mesmos. E a ladainha monocórdica também! "Além do rio azul" tem 24 anos de estrada sem que muitos que o ouvem pensem no Céu, nem no que fazer para lá chegar! Não mudou também a tendência de ressaltar um ou outra voz, pondo-lhe um microfone adiante. É grupo ou pessoa? Ainda não chegamos a um consenso.

6) A teimosia em confundir quantidade com qualidade. Exposição midiática com representatividade espiritual. Tais aparições só obscurecem o senhorio de Cristo sobre a vida da Igreja. Há momentos vergonhosos em 2014, nos quais parece que queríamos ser maiores que o próprio Jesus. Aqueles vídeos de crentes pulando e saltando como babalorixás (vide abaixo), a mulher que faz alongamento com o marido nas costas... Mas se as tomadas cenográficas mostram muita gente, está serto! Olha este culto cheio de pessoas!



7) A teimosia em cantar hinos antropocêntricos. Há vinte e tantos anos meu professor de música dizia que massageiam nosso ego. Não conseguimos superar o afago... Os cantores de tais hinos passaram a ser tomados como pensadores e teólogos, aí desgringolou de vez!

8) A tentação megalomaníaca. Quanto maior, melhor: templos, orgãos, eventos. Tudo e todos do mesmo jeito Brasil afora. Se, por exemplo, a quantidade de decisões fosse proporcional à de fotos de eventos postadas neste espaço virtual, o Brasil todo já seria evangélico! O que dizer do eventismo do sétimo dia? Agora não temos mais cultos, mas eventos. Conheço igrejas que os tem toda semana, para alimentar programas televisivos e home pages. Quando o carrossel parar...

9) A miopia bíblica. Portar, até portamos, já ler, estudar e meditar é outra história. Houve grandes lançamentos em 2014, mas falta apetite para formar massa crítica. O que dizer daquele vídeo em que pessoas se prestaram a comer capim (assista a partir dos 2:35m)?


10) A teimosia em lançar Bíblias de Estudo. É a Bíblia do Obreiro Aprovado, para obreiros reprovados em teologia. A Bíblia da mulher que ora, para as mulheres que não oram, só falam da vida alheia, com o perdão da generalização. Bíblia do Jovem, que passa o dia no Facebook e não está nem aí para ler a Palavra de Deus. Bíblia de Estudo de estudiosos que falam obviedades, copiando e colando descaradamente. A Bíblia com a numeração strong, para os que não sabem nem hebraico, nem grego. A Bíblia das Mulheres Diante do Trono, para mulheres que estão distante do... trono! Foi lançada (relançada por outra editora) a incrível Bíblia Dake, que contém, segundo o que a leram no original inglês, mais heresias por centímetro quadrado do que qualquer outra. E vai por aí afora...

11) A fome e a ânsia por cargos e espaços. Dos mais elevados orgãos às minúsculas células todos querem ser e aparecer. Isso citando ao pé da letra: Convém que Ele cresça e eu diminua... É brincadeira? Todos buscam projeção, de preferência pisando nos irmãos. João Batista é mera peça de retórica.

12) A teimosia departamental. Surgiu uma necessidade se cria um departamento. Ninguém pensa: é possível separar um grupo dentro do orgão para fazer este trabalho, que, por vezes, é o mesmo trabalho de forma mais aprimorada. Por outro lado, um conjunto quer cantar melhor? Cria-se um grupo de louvor dentro dele! Ao invés de aprimorar o grupo todo. Aí vem superintendente, supervisor, mestre, contra-mestre, secretária, tesoureira, caixa, aniversário, despesas, espaços em cultos (que já são exíguos) para cada novo departamento. O ministério de Dilma, com seus 40 ministros, perde de lavada.

13) A falta de aplicação do que aprende na EBD e nas EBOs. O estudo flui, o aprendizado está por toda parte. Já colocar em prática... O que tem de vídeo no YouTube ensinando sobre a Bíblia não se conta. As pessoas os assistem, até vibram com eles, mas desistem de colocar as premissas em prática. Se a liderança e o povão cumprisse 10% do que vai nos Congressos e afins a Igreja já seria outra! Aquela humildade, por exemplo, pregada nas Escolas Bíblicas não condiz com a arrogância exercida no dia a dia de muitas igrejas.

14) A teimosia de pregadores em usar chavões e frases de efeito. Toque no seu irmão, diga para ele isso ou aquilo, grite para estourar os ouvidos do Diabo, urre perante seu Deus e vai por aí afora. O que dizer dos que imitam outros pregadores? Uma lástima! O caldo entorna com "Olha o anjo aí do teu lado", "a benção está caindo", "pão quente do Céu"... Este último nada tem de pão, nem de quente, muito menos do Céu!

15) A teimosia em afetar poder. Uns gritam, outros imitam línguas, outros pulam. Não à toa um dos vídeos que bombou na web em 2014 mostrava um trampolim humano no púlpito como falamos acima. O que dizer do vídeo abaixo? Poder não tem a ver com gestualização, nem com olhos esbugalhados, socos ao vento. Poder tem a ver com unção e graça visando resultados práticos para o reino de Deus! Se almas, por exemplo, não se convertem, temos que reavaliar que poder é esse!



16) O desleixo com o Sertão brasileiro. Milhões de pessoas habitam o semi-árido nordestino. Uma região relativamente fácil de alcançar, se houvesse boa vontade e desejo sincero. Cento e oitenta e duas cidades do Sertão tem menos de 1% de evangélicos, mas isso não importa para a maioria. Salvo as raras e honrosas exceções, continuamos só tendo olhos para o exterior...

17) A teimosia em confundir usos e costumes com doutrinas bíblicas. E até justificar certas opções distorcendo textos bíblicos. Não queremos diminuir a importância dos costumes, porém, esquecer da doutrina na sociedade do conhecimento é fatal!

18) A teimosia em confundir movimento com avivamento. A turma até sacoleja e faz uns gestos irreconhecíveis. No fim, não sobra nada e vai todo mundo pra casa. O verdadeiro avivamento traz compromisso com a Obra de Deus. Avivamento que não leva as pessoas para a evangelização, por exemplo, é mero fogo de palha!

19) A teimosia em receitar fórmulas para o agir de Deus. Quer um novo emprego? Siga tais e tais passos. Um novo relacionamento? Siga os sete passos. Resultaram em retumbante fracasso. Deus não trabalha no timing do homem!

20) A associação cada vez maior com a política secular. Aliás, tem Câmara de Vereadores perdendo para algumas igrejas. Estouraram vários casos ao longo de 2014 que não deixaram dúvidas sobre essa constatação. A apropriação indébita, a locupletação, o nepotismo, o apadrinhamento, o fisiologismo, a prioridade oligárquica, a manutenção do status quo, floresceram e criaram raízes no ano que se finda.

21) A falta de transparência com o dinheiro alheio. Os pastores, com o perdão da generalização, esquecem que gerem recursos públicos e que devem prestar contas ao maior número possível de um grupo seguro dentro da Igreja. Infelizmente, corremos o risco de assaltos e por isso é desaconselhável a exposição desenfreada de cifras. Entretanto, não podemos ter caixas pretas em nossas administrações financeiras. Curiosamente, ao serem pilhados com a boca na botija, muitos ungidos fogem pela tangente...

22) A tentativa de terceirizar as culpas. É o Diabo, são os neo-pentecostais, é o PL 122/2006, são alguns movimentos sociais, são as esquerdas, é o partido tal. Na maioria esmagadora de nossas dificuldades nós fomos os primeiros empecilhos para crescer e se organizar. Por capricho pessoal, omissão, leniência ou miopia, nós fomos os culpados. Que Deus nos ajude a ver a dimensão de suas possibilidades em nós em 2015!

23) A tentação de prever resultado de eleições em cultos através de profecias. É chegar o candidato, de preferência o bem cotado, que as profetadas começam. Repercutiu a suposta profecia a respeito da morte de Eduardo Campos, que depois se revelou uma furada. Ou seja, houve a profecia, mas o conteúdo era totalmente diferente. Fui à igreja durante todo este ano, nos mais diversos trabalhos e Deus não usou nenhum vaso diretamente para mim, ao menos que me lembre. Creio que Ele não quis. Isto não quer dizer que deixei de ouvi-lo. Muito pelo contrário! Falo com meu Senhor todos os dias...

Talvez eu aumente a lista.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Por quem batem os sinos do Natal?


É um post antigo, mas a essência sempre atual. Por quem mesmo batem os sinos do Natal?

Pela falsa caridade oportunista. Passa-se o ano todo em necessidade, e, próximo do Natal, alguém reúne comidas e roupas e doa aos que nada têm. É a redenção da boa vontade, esquecida durante o ano, lembrada no Natal. Os pobres sempre tende convosco, diz a Palavra de Deus! Voluntários se oferecem, doações aparecem, enfim um espírito voluntário toma conta de todos. Passadas as festas natalinas, os sinos ecoam nas barrigas vazias, e nas roupas rotas, nas mentes tortas, nos sorrisos absortos, na peças marotas.

Pela mídia que fatura muito bem com seus natais bem elaborados, onde famosos visitam asilos, hospitais e favelas, procurando tocar a pessoas por suas atitudes. Durante todo o ano permissão, no Natal remissão.

Pelas mãos fechadas no ano que se estendem no Natal, pés opulentos caminham em busca do outro. Ricos e famosos descem de seus carros caros e andam em ruas lamacentas, vagueiam por paredes mal caiadas, entram em lugares pobres, esquecidos durante o ano, lembrados no Natal. Os sinos não ecoam nas mãos-de-vaca!

Pelas empresas que dobram seus lucros e batem recordes de vendas, tendo como chamariz o Natal. Se não há como vender nada a Deus, dono de tudo que é, vendamos aos seus filhos, raciocinam elas.

Pelos templos do consumo que mercadejam a felicidade plástica estampada em comerciais bem acabados, Natal é beleza, afirmam subliminarmente em suas propagandas.

Pelas mesas fartas dos ricos, que distribuem as migalhas com os pobres cachorrinhos. Repletas de produtos criados especialmente para o Natal: chesters, panetones, árvores, enfeites. Empanturram o estômago, enquanto esvaziam a alma.

Pelas indústrias de roupas que faturam como nunca, afinal Natal é roupa nova, dizem. Os sinos batem por você, que deixou de vir á igreja porque não tinha uma roupa nova, um atendimento ao apelo consumista.

Por Papai Noel, uma invenção nórdica que desce pelas lareiras a entregar presentes ás crianças. Nestes trópicos sem lareira ele eterniza a lenda nas lojas e ruas, e nas inúmeras situações em que a mídia pode faturar com ele. Papai Noel agora desce de helicópteros, para presentear mentes hipnotizadas pelo glamour.

Pelos mais pobres que sonham a utopia de serem visitados por um Papai Noel, nem que seja um Ratinho, um Gugu, um Show do Milhão, mas pode ser um Netinho, um ator global, uma sexy symbol do momento. Que Jesus, que nada, ele não aparece em novela ou comercial!

Pelos filmes temáticos que misturam realidade com ficção, Jesus com Papai Noel, e assim vão vendendo a ilusão. Os telespectadores embromados vibram diante da telinha ou da telona, isto é que é Natal!

Por você que espera um Deus que opera apenas no Natal, não um Deus incansável, que trabalha por aquele que nele espera o ano todo, 24 horas.

Pelos salões de beleza que nunca faturam tanto. São cortes, escovas, penteados, maquiagens, adornos para cabeça, unhas e corpos. Agora virou moda fazer plástica no fim de Ano, para o Natal dizem, consumidoras loucas para encarnar uma personagem qualquer.

Pela estética do Jesus do Natal. Estrategicamente colocado numa manjedoura, veste roupas caras e atende aos padrões de todos. Jesus negro para os negros, loiro para os loiros. Um Jesus adornado, maquiado, cheio de peripécias. Distante do meigo nazareno, prestam-se a cultos diversos.

Pela estética que pede luzes, muitas luzes. Para acender os caminhos e iluminar as fachadas, de quem passou o ano escondendo o rosto com vergonha dos atos. Empresas que roubaram do pobre e não atenderam ao gemido do necessitado, que exploraram sua mão de obra, repletas de luzes brilham para a vida fugaz. Vida fugaz essa de uns poucos dias do ano, desmontadas e cuidadosamente guardadas para o próximo Natal, como se a felicidade pudesse ser guardada em caixas de papelão.

Por você, que nas efemérides lembra de se adornar não para Deus, mas atender aos apelos dos outros. As luzes do Natal não podem iluminar sua alma!

Pela falsa alegria de quem passa uma noite toda dançando ao redor de um trio elétrico, comemorando o feriado e não o Natal.

Pelo aumento do consumo de drogas, de bebidas alcoólicas, pelas estatísticas inflacionadas dos acidentes. Os traficantes nunca faturam tanto quanto no Natal e Ano Novo. Os hospitais nunca recebem tantos feridos quanto nos feriados de fim de ano.

Pela incapacidade que temos de sintetizar quanto amor Deus tem por nós, ao nos doar Jesus, seu único Filho. As compras não podem retribuir o amor de Deus. No máximo, podem fazer com que alguém se sinta lembrado.

Pela insensibilidade de nos reconhecermos incapazes de salvar a nós mesmos. Mesmo que nascêssemos num Natal ou numa manjedoura, nada de eterno poderíamos fazer.

Pela distância que nos separa dos outros, seria o eco dos sinos um recurso para preencher o vazio que há entre nós? A mídia mostra pessoas felizes comendo juntas, enquanto somos incapazes de abrir nossa mesa a desconhecidos. Ou mesmo comer um chester numa mesma mesa, intrigados com algum parente!

Os sinos tocam porque nós não nos deixamos tocar por Deus, e rangem por nossa dor nostálgica. Não batem por Jesus, bem distante do Natal dos homens, ainda por nascer na manjedoura das almas!

sábado, 13 de dezembro de 2014

Você sabe o que é tessitura?

Não sou músico, mas também não sou pedreiro e sei reconhecer uma parede torta. Tessitura é a quantidade notas que uma pessoa tem condições de entoar sem esforço. Uns conseguem tons mais agudos, outros mais graves. Bem poucos são capazes de passear entre tais limites, como a mocinha abaixo.



Fazendo o link com a realidade de nossas igrejas, observamos pessoas a ponto de vomitar a traqueia. Há três razões principais:

1) Convencionou-se que quem canta alto canta bem. Não é verdade. Que o diga um cantor como esse do Quarteto Gileade. Os maestros concorrem para preservar a irracionalidade ao priorizar em solos os sopranos e tenores.

 

2) Nossos conjuntos tocam muito alto. Por consequência os solistas se esforçam muito mais do que deveriam, distorcendo a qualidade da música. Os instrumentos são priorizados e ultrapassam as vozes. O correto seria equilibrar os dois;

3) No culto pentecostal quem está sentindo a presença de Deus tem que gritar. E, consequentemente, cantar bem alto. Não sei de onde tiraram essa conclusão, mas ela também não resiste ao teste do quebrantamento, quando ficamos calados e apenas ouvimos Deus falar ao nosso coração.

Deveríamos estar alertas quanto ao problema, porque muitos hinos se tornam feios se cantados acima do tom normal, além de prejudicar o ouvido do auditório. Claro, claro, algumas pessoas possuem um timbre mais agudo e podem cantar um hino mais alto. Outras, não!

E tem um outro grave problema: crianças cantando hinos de adultos e no tom deles. O resultado são pessoas cada vez mais desentoadas e com problemas na garganta. Uma criança cantando, por exemplo, "Eis o mar", de Shirley Carvalhaes é um despropósito. Afinal Shirley é uma mulher adulta, com a voz estabilizada e canta num tom bem alto.

 

Esse assunto é igual àquele das pregações. Se você não rugir...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Subsídio para a 10ª Lição - 01/12/2014 - As Setenta Semanas


Aos professores interessados disponibilizamos um mapa do Plano Divino através dos séculos. É, infelizmente, um material esgotado na CPAD. Utilize-o para demonstrar aos seus alunos uma visão panorâmica da escatologia.

Atenção: Não é material de minha propriedade, apenas compartilhando. Clique para expandir.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Subsídio para a 8ª Lição - 23/11/2014 - Os impérios mundiais e o reino do Messias

Prezados, gostaria de propor algumas atividades para a lição do próximo domingo.

Comecemos pelos mapas. Acredite estudantes de teologia e teólogos formados são, muitas vezes, analfabetos em geografia bíblica. Com um mapa na mão muitos falhariam em identificar onde ocorreu a história bíblica.

Inicie pelo Mapa Mundi, mostre onde está o Brasil e, a seguir, onde fica Israel. Enfatize a partir de onde se deu a origem da história humana.

Mostre a importância da Mesopotâmia, dos rios mencionados em Gênesis 2:14... Enriqueça falando dos primeiros impérios como os hititas e egípcios.


Fale do Império Assírio...


Mostre a área de influência dos impérios seguintes, na ordem: Babilônia, Grécia, Pérsia...


E, por fim, o Império Romano...


Clicando aqui você acessa um breve resumo histórico da duração dos seis grandes impérios mundiais e sua relação com o livro de Daniel.

Que tal enriquecer com esta imagem?


E não esqueça do link entre a estátua e a visão dos animais.



Note que em termos de alcance territorial o Império Persa e Grego se assemelham, com o detalhe de que Alexandre, o Grande, rei grego conseguiu em muito menos tempo alcançar até mesmo a Índia.

Enriqueça sua aula, só não tente bancar o esperto. É preciso dominar o assunto para que a aula tenha sucesso. Pegue mapas emprestados se não os tiver ou partilhe a lição a partir de seu notebook ou datashow. Não deixe a aula soçobrar por falta de conteúdo, nem deixe de prender a atenção do seu aluno.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Subsídio para a 7ª lição - 16/11/2014 - Integridade em tempos de crise


De todas as provas que Daniel enfrentou em Babilônia com seus amigos, uma das mais duras foi sobreviver à atmosfera infestada de corrupção do palácio. Ali se respirava conspiração, tramoia, desvio, ódio, bajulação, jogos de poder e toda sorte de coisas reprováveis. A Bíblia é econômica no assunto, mas podemos imaginar que na metrópole maior do seu tempo a cidade era um antro fedorento.

Curiosamente, é um caso citado entre tantos na Bíblia de políticos que honraram a Deus. Especialmente quando alguém quer defender uma candidatura evangélica. A própria CPAD seguiu o raciocínio do homem incorruptível. Infelizmente, até agora todos têm falhado. Ora na corrupção ativa, ora na passiva. Quantos políticos evangélicos não estão sendo processados por crimes eleitorais? Quando menos se encontra falhas, elas estão na esperteza em ludibriar os membros incautos com promessas mentirosas ou na imposição de nomes para eleições seculares.

Hoje, pastores sucumbem diante da política secular, fazendo salamaleques para representantes de todos os naipes. Não só isso, fazendo acordos que em nada diferem dos grandes escândalos. Vendem a igreja, a alma e a dignidade por um prato de lentilhas. Interessante que nenhum desses acordos seria confessável diante da grande membresia. Se de partida é assim, desconfiemos dos seus propósitos.

Mas pior que isto é a própria política eclesiástica ter infectado a Igreja e sua liderança. Escaramuças e jogadas dignas das grandes séries da TV mancham escolhas, trabalhos e projetos. Sugiro a leitura de Irmãos, nós não somos profissionais, do grande John Piper, que trata justamente da maneira como a política profissional invadiu nossas hostes. Mensagens soft para não desagradar a determinados públicos. Preguiça com o estudo da Palavra. Prioridade para os acordos eclesiásticos. Olho grande nos dízimos e ofertas. Ostentação e riqueza. Enfatuamento com as coisas de Deus.

Conheço diversas pessoas cansadas do jogo. Preferem viver na obscuridade e fora dos holofotes para não correrem o risco. Pode estar aí o segredo da longevidade pessoal e espiritual de Daniel, aliada ao caráter deste grande homem de Deus.

Já diz o adágio popular: Honestidade é fazer a coisa certa, mesmo quando não tem ninguém olhando.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O “PEIXE-LAGARTO”, AS INTERPRETAÇÕES TENDENCIOSAS E A “PROVA INCONTESTÁVEL” DA EVOLUÇÃO

O “PEIXE-LAGARTO”, AS INTERPRETAÇÕES TENDENCIOSAS E A “PROVA INCONTESTÁVEL” DA EVOLUÇÃO
Por Ricardo B. Marques

O artigo apresenta a descoberta, na China, de um ictiossauro cujas características anatômicas seriam “prova incontestável” de que os répteis aquáticos teriam antepassados terrestres, o que “comprovaria” a Teoria da Evolução (TE). Vide o artigo em http://jconline.ne10.uol.com.br/…/peixe-lagarto-foi-da-terr…
Contudo, observe-se um hábito que tipifica a maioria dos evolucionistas, revelado na frase da reportagem: “Essas nadadeiras, aliadas a punhos flexíveis, PROVAVELMENTE [grifo meu] permitiam que eles se movimentassem em terra firme, rastejando de uma maneira semelhante à das focas”. Mais adiante, os autores da descoberta mencionam: “Agora temos essa prova INCONTESTÁVEL”. Penso que “provavelmente” e “incontestável” não combinam. Alguém discorda?
É curioso o fato de que quando evolucionistas revelam seus achados, começam falando em "talvez", "possivelmente", "provavelmente", "acredita-se"... Ou seja, não há nada certo sobre aquilo, apenas especulação, um modo de interpretar o achado, a conclusão é só uma proposição, no campo das possibilidades, nada mais. Porém, em seguida, distorcem a abordagem e sorrateiramente apresentam a conclusão como “incontestável”, inquestionável, fato consumado, fazendo o público crer que aconteceu exatamente como eles interpretam e propõem – é isso que ocorre com essa reportagem.
A história da TE encontra-se repleta disso: acham um fóssil e aplicam sobre ele uma INTERPRETAÇÃO que sirva para fortalecer a teoria que defendem a priori, e apresentam a interpretação tendenciosa como "evidência" ou mesmo "prova" de sua teoria. Os poucos mais honestos e precisos que ousam considerar a chance de haver outras interpretações possíveis são imediatamente censurados – mas existem.
Poderíamos citar inúmeros casos na história da TE semelhantes ao dessa notícia do "ictiossauro anfíbio", mas vamos nos ater a um exemplo clássico: o dos celacantos. O celacanto é um peixe outrora conhecido somente em sua forma fóssil, considerado extinto desde o Cretáceo Superior (entre 99 e 65 milhões de anos atrás). Ou seja, teria desaparecido mais ou menos junto com os dinossauros e muitas outras espécies.
Os celacantos tinham barbatanas peitorais e pélvicas cujas bases eram pedúnculos musculados bastante semelhantes aos membros dos vertebrados terrestres e que se aparentavam mover-se da mesma maneira. Que descoberta! Um peixe com nadadeiras semelhantes a patas, o que indica que aquele peixe se locomovia de modo semelhante aos vertebrados terrestres!
Pronto, bastou isso para os evolucionistas apresentarem aquele magnífico animal como um “fóssil de transição” entre os peixes e o novo grupo de vertebrados conhecidos como tetrápodes terrestres, ao qual pertencem todos os anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Ou seja, os celacantos teriam dado origem a alguns dos primeiros anfíbios, e destes teriam surgido todos os demais vertebrados terrestres.
Isso foi mantido como “verdade” nos livros, aulas e palestras de evolucionistas em todo o mundo, por muitos anos. Até que, em 1938, pescaram celacantos no litoral da África do Sul. Depois disso, foram encontrados vários celacantos vivos (o primeiro em 1998). E agora?
Primeiro problema: os “fósseis-vivos” são um desafio complicadíssimo à confiabilidade da datação da coluna geológica. Até então os celacantos eram usados como “fósseis-indicadores” (muitos outros fósseis ainda são usados assim), isto é, por se “saber” que eram de determinado período geológico, sempre que um fóssil de celacanto era encontrado numa camada de rocha, aquela rocha era automaticamente data como sendo daquele período. No entanto, agora se sabe que os celacantos existem até hoje, de modo que a datação de rochas feita com base em fósseis de celacanto não é mais confiável (contudo, nenhum livro, nenhuma disciplina de geologia ou de paleontologia nas universidades, e nenhum evolucionista jamais revisou tais datações – elas continuam como estavam antes). Pergunta-se: quantas datações mais da coluna geológica estariam seriamente equivocadas, por serem feitas com base em fósseis e sem que se tenha certeza de que aqueles fósseis realmente teriam a idade que se supunha?
Segundo problema: os celacantos vivos – hoje criados até em aquários – não se locomovem como imaginavam os evolucionistas. Suas nadadeiras, anatomicamente semelhantes a membros de vertebrados que se arrastam, não eram nem são usadas para esse fim. Tratava-se apenas de uma coincidência anatômica, nada mais. Não havia absolutamente nenhuma relação evolutiva entre os celacantos e os tetrápodes terrestres. Anteriormente considerados de maneira tão afirmativa como “formas transitórias” entre peixes e vertebrados terrestres – uma “prova” da evolução – , os celacantos eram simplesmente peixes, cujas nadadeiras semelhantes a “patas” eram apenas nadadeiras e usadas somente para nadar. E assim permanecem até os dias de hoje.
Portanto, um cientista cientificamente honesto e coerente não temerá dizer que a descoberta do “ictiossauro anfíbio” nada representa em termos de “evidência” de evolução. A TE continua uma teoria em crise, conforme dito pelo famoso bioquímico britânico-australiano Michael Denton, PhD, em seu livro “Evolução: uma teoria em crise”. Detalhe: Denton é evolucionista, e mesmo assim admite que a TE está em sérias dificuldades de se sustentar diante das reais descobertas científicas nas últimas décadas.
Uma de minhas palestras sobre a polêmica "Criação X Evolução tem por título: "Evolução - a interpretação que virou dogma". Não resta dúvida de que a teoria evolutiva (TE) é criativa. Genial até. Darwin e seus sucessores merecem reconhecimento por terem desenvolvido um modelo interpretativo tão original e criativo daquilo que se observa na natureza. Contudo, digo que essa inteligente, instigante e elegante teoria é apenas isso: um modelo interpretativo. Nada mais. Assim como são modelos interpretativos o Criacionismo Científico (CC) e o Design Inteligente (TDI). A questão é que os criacionistas científicos e os adeptos da TDI admitem que suas teorias são interpretações, mas os evolucionistas não admitem isso. Evolucionistas – salvo notáveis exceções – insistem em que a TE é um fato, uma verdade comprovada, a única, suficiente e definitiva resposta da ciência para a diversidade da vida. Só que não é.
Praticamente todos os pressupostos da TE são falseáveis e não se sustentam quando submetidos a um verdadeiro e honesto escrutínio científico. E ainda bem que não sou eu quem diz isso, mas cientistas de renome e altamente respeitados – alguns deles evolucionistas, vale salientar. E eu, que fui evolucionista radical (mais ou menos na linha de Richard Dawkins) por tantos anos, não sabia de nada disso, pois, como a maioria dos meus colegas, fui mantido convenientemente "afastado" da percepção de que a inteligente TE seria, em realidade, uma genial falácia.
A única razão de a TE sustentar-se tão fortemente e por tanto tempo no meio acadêmico como suposta expressão única da verdade, em sua defesa da macroevolução (porque a microevolução é, sim, um fato), é porque seus principais defensores assumiram uma condição de "poder" dogmático e déspota. Eles adotaram a TE como uma ideologia, senão quase como uma fé, uma religião, e não como ciência propriamente dita; ao mesmo tempo, adotaram toda uma terminologia científica para validar sua ideologia como verdade absoluta. A relação entre evolucionistas e a TE assemelha-se muito àquilo que vemos acontecer entre certos tipos de pessoas religiosas acusadas de “fundamentalistas” e a cartilha de dogmas que seguem sem questionar. Instalaram-se na cúpula do poder acadêmico e formaram um "establishment", uma espécie de "clero" distante e intocável, instalando seu paradigma e adotando táticas extremamente dogmáticas de controle ideológico, beirando uma nova Inquisição, a exemplo de:
- censuras (divergentes da TE são impedidos de ensinar, de palestrar, de publicar, de ter acesso a verbas, etc.);
- ameaças e medo (divergentes da TE são ameaçados de demissão, de cortes de verbas, de terem seus nomes atirados na sarjeta, são ridicularizados em público, atacados pessoalmente, etc.);
- controle da informação e propaganda desonesta (a ideologia evolucionista controla o mercado editorial, a mídia, os periódicos científicos, etc.), e assim por diante.
Com essas estratégias, que encontram paralelo em táticas da Inquisição Católica e de regimes déspotas como nazismo, fascismo, stalinismo e maoísmo, por exemplo, a turma da TE reduz ao mínimo a manifestação das divergências.
Para se ter uma ideia, em se falando de Brasil, alguns cientistas de renome – dentre eles PhDs respeitados em seus campos (inclusive grandes especialistas em áreas como proteômica, genética, biologia molecular, etc.), que integravam o comitê científico do I Congresso Brasileiro do Design Inteligente, tiveram que retirar seus nomes do comitê por terem sido gravemente ameaçados por colegas intolerantes, cujas ações envergonham a ciência, a ética e até os direitos humanos. Mas ainda bem que foram poucos os que foram obrigados a ceder para, compreensivelmente, preservar seus empregos, suas pesquisas e sua liberdade.
É assim que muitos evolucionistas agem. Não todos, felizmente; há muitos que conseguem separar as coisas e terem uma postura verdadeiramente ética, democrática e científica, admitindo que a TE é um modelo interpretativo dos fatos observados e que pode – e deve – conviver com abertura para ouvir e considerar outros modelos, independente de enxergarem nestes algum viés “religioso”, como alguns preconceituosos insistem em fazer.
Que o respeito mútuo, a educação, a ética e o diálogo aberto, científico e respeitoso encontrem seu espaço nesse contexto específico das hipóteses e teorias a respeito das nossas origens. Esse é meu anseio, essa é uma de minhas missões.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A missão precisa de mais do que entusiasmo, diz Chris Wright

O teólogo irlandês Christopher Wright é considerado por muitos como o “sucessor” de John Stott. De fato, ele foi seu “braço direito” e atualmente é quem lidera a “Langham Partnership”, organização fundada por Stott. Chris, como é conhecido, esteve no Brasil em outubro e foi o preletor principal do 7º Congresso Brasileiro de Missões, em Águas de Lindoia (SP). Ele aproveitou para lançar o livro “A Missão de Deus: desvendando a grande narrativa da Bíblia” (Edições Vida Nova). Wright também é autor de O Deus Que Eu Não Entendo (Editora Ultimato) e Povo, Terra e Deus(ABU Editora), entre outros.
O estudioso, que é um dos responsáveis pelo mais recente documento do Movimento Lausanne (O Compromisso da Cidade do Cabo) caminhada bem tanto na Teologia quanto na Missiologia. Leia a seguir a entrevista que fizemos, por e-mail, com ele.
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Ultimatoonline – Como você gostaria de ser apresentado aos cristãos brasileiros?
Chris Wright - Simplesmente como companheiro e irmão na fé. Antes da Segunda Guerra Mundial, meus pais foram missionários no Brasil por vinte anos na região amazônica. Por isso, ouço falar do Brasil há muitos anos. Eu coleciono selos e tenho alguns selos maravilhosos do Brasil!
Ultimatoonline Você foi um dos líderes da redação de “O Compromisso da Cidade do Cabo” (CCC) em Lausanne 3 (2010). O documento é mais completo que o Pacto de Lausanne? O CCC teve o impacto que se esperava?
Chris Wright - O Compromisso da Cidade do Cabo é bem mais extenso do que o Pacto de Lausanne, porém mantém o mesmo objetivo: articular as convicções bíblicas e cristãs fundamentais que sustentam nossa missão cristã no mundo. A Parte 1 une mentes (“o que cremos”), corações (“nossos compromissos”) e mãos (“nossa resposta prática”), na linguagem de um compromisso de amor. A Parte 2 surgiu durante o próprio Congresso e relaciona trinta questões sob um vigoroso “Chamado à Ação”. O CCC oferece um “roteiro” para o Movimento Lausanne para as próximas décadas. Ele foi traduzido para mais de 25 idiomas. Além disso, há redes temáticas que estão se engajando efetivamente em discussões sobre a maioria das questões relacionadas na Parte 2.
Ultimatoonline – O Primeiro Congresso de Lausanne ficou marcado como um espaço magnífico para a compreensão mais integral da missão da Igreja. No entanto, 40 anos se passaram e ainda hoje se discute em vários ramos da igreja a natureza da missão. Como você definiria a missão da Igreja?
Chris Wright - A igreja é chamada por Deus para participar no que Deus está fazendo no mundo em cumprimento da redenção realizada por Cristo na cruz e ressurreição – em favor dos indivíduos, da sociedade e da criação. Somos enviados ao mundo para tornar Cristo conhecido e amar e servir no nome de Cristo. Procurei expor isso mais detalhadamente nos meus livros “A Missão de Deus” e “A Missão do Povo de Deus”.
Ultimatoonline – Muito se fala sobre a “igreja perseguida”. Em Lausanne 3, esta questão também ficou bem evidente, principalmente, nos testemunhos. Recentemente, surgiu o chamado Estado Islâmico atacando minorias religiosas no Oriente Médio. O mundo está mais intolerante contra as religiões e, particularmente, contra o Cristianismo?
Chris Wright - Sim. Isso é hoje reconhecido por comentaristas seculares, não somente cristãos.
Ultimatoonline – Como você está envolvido com o Movimento Lausanne, deve experimentar então a necessidade de dialogar com diversas denominações cristãs, e talvez com não-cristãs. Há um caminho sábio para desenvolver este diálogo, sem perder a identidade cristã?
Chris Wright - John Stott acreditava na importância do diálogo. É possível conversar com qualquer pessoa, com respeito, mas ao mesmo tempo manter suas convicções.
Ultimatoonline – Se fosse possível fazer um retrato da igreja cristã global hoje, seria uma fotografia bonita?
Chris Wright - Depende de onde você olha e quem está olhando. Há muitos cristãos maravilhosos na igreja de Deus – muitos dos quais são completamente desconhecidos da igreja como um todo, mas são conhecidos de Deus. Também há diversas igrejas, líderes etc, muito impressionantes e famosos, os quais se comportam de maneira não tão atraente. Em última instância, é Deus quem decide o que é belo aos seus olhos, e assim também farão os que se parecem mais com Cristo. Jesus mesmo disse que, infelizmente, muitos fariam todo tipo de coisas espetaculares em seu nome, porém, no último dia, não pertenceriam a ele. Nós olhamos o exterior, mas Deus olha o coração.
Ultimatoonline – O Brasil é um país muito grande e com uma igreja evangélica em crescimento numérico, mas multifacetada. Em sua opinião, que desafios globais a igreja brasileira ainda não enfrenta?
Chris Wright - Penso que é difícil, vindo de fora, eu responder isso. Eu ouço que a igreja evangélica brasileira envia muitos missionários para outras partes do mundo, mas, lamentavelmente, muitos não são devidamente mantidos ou preparados; por isso voltam desiludidos. Se este é o caso, é lamentável. Toda missão transcultural requer muito mais do que mero entusiasmo. As pessoas precisam ser muito bem ensinadas, preparadas, e precisam saber como entender outras culturas com humildade e autocrítica.
Ultimatoonline – Você está envolvido diretamente com Teologia e Missiologia. Há grandes tensões entre teólogos e missiólogos? Se sim, quais?
Chris Wright - Não vejo que há sérias “tensões”, mas falta profunda integração e interação. Muita teologia é feita de modo puramente acadêmico, de acordo com as categorias clássicas que surgiram na Europa medieval; desse modo, a “missão” é acrescentada como aspecto adicional – quando o é de fato. Precisamos reconhecer que a teologia, e a educação teológica, são intrinsecamente missionais uma vez que servem à igreja, e a igreja existe no mundo em função da missão de Deus. Mas, de igual forma, aqueles que se envolvem na missão não devem desprezar a teologia. Há muito “zelo missionário sem conhecimento” – ação sem reflexão. Precisamos de uma teologia missional e uma missão orientada teologicamente.
Ultimatoonline – Como você avalia o papel dos jovens no movimento missionário global?
Chris Wright - Eles são tão importantes na missão quanto na igreja como um todo.
Ultimatoonline – Sem rogar papel de profetismo, mas considerando a realidade atual dos cristãos e do mundo, como você acha que a igreja de Cristo caminhará nos próximos 10 anos?
Chris Wright - Certamente a perseguição aumentará. A influência da igreja ocidental diminuirá. Cristãos evangélicos precisarão se tornar mais plenamente bíblicos. A China e a Índia serão países com enorme população cristã, competindo com a África e a América Latina.
Ultimatoonline – Você foi um amigo próximo de John Stott e ainda hoje lidera alguns dos ministérios iniciados por ele. Você poderia descrever um pouco o seu amigo Stott? Em que aspectos você sente falta dele?
Chris Wright - Ele foi como Moisés – um dos grandes líderes do povo de Deus, contudo uma das pessoas mais humildes da Terra. Sua humildade era genuína. Ele foi a pessoa mais semelhante a Cristo que já conheci. Ele também tinha um fascinante senso de humor. Ele vivia de modo muito simples e rejeitava toda tentação de riqueza e “glamour”. Eu sinto falta de sua calma sabedoria e capacidade de tornar todas as coisas muito claras e simples. Ele era generoso e tinha incrível capacidade de fazer amigos. Como Jesus, ele amava crianças e se lembrava de seus nomes.
Ultimatoonline – Você é “apresentado” como sucessor de John Stott. Você concorda com este título?
Chris Wright - Não exatamente. Eu assumi a liderança da “Langham Partnership”, fundada por ele. Por isso, sou o sucessor dele neste ministério. Mas, em muitos sentidos, ele não precisava de um único sucessor. Ele tem milhares de sucessores em todo o mundo – pessoas a quem ajudou, aconselhou, guiou e inspirou.
Ultimatoonline – Quais os planos do ministério Langham para manter vivo o legado de John Stott no mundo?
Chris Wright - Langham Partnership tem o objetivo de ajudar igrejas de países em desenvolvimento a crescer em profundidade – não só em números – por meio do ministério de pastores e líderes que creem, ensinam e praticam a Palavra de Deus. Queremos fortalecer o ministério da Palavra de Deus, estabelecendo movimentos para treinamento bíblico de pregadores e professores (atualmente está presente em sessenta países), oferecendo e ajudando desenvolver literatura evangélica para pastores, estudantes de teologia e bibliotecas, e patrocinando aqueles que desejam fazer doutorado em teologia para depois lecionar em seminários, nutrindo assim a próxima geração de pastores.
Tradução: Billy Lane.

Fonte: Ultimato

Subsídio para a 6ª lição - 09/11/2014 - A queda de Babilônia


Menê, menê, teqêl uparsin

O estudante médio da EBD não consegue conceber a representatividade da cidade de Babilônia, especialmente no equilíbrio de forças da Mesopotâmia e Oriente Médio. Sugiro aos professores se desdobrarem para ajudar neste quesito. Babilônia assumiu a liderança do Oriente Médio ao esmagar o poderio assírio.

Rapidamente impuseram seu domínio, conquistando as terras para além do Crescente Fértil. Jerusalém foi invadida em três ocasiões, o livro de Daniel relata a primeira delas em 606 a.C. Os utensílios do templo foram levados para a terra de Sinar.

Babilônia era uma joia da arquitetura, mas sofria de uma fragilidade. A cidade era atravessada por canais. 

Foi justamente explorando esta brecha que Dario entrou na cidade, desviando o curso de um deles. Pouco tempo antes desta façanha, Belsazar havia brindado seus nobres utilizando como recipientes os vasos sagrados de Jerusalém. Ocasião em que dedos sobrenaturais escreveram sua sentença numa parede.

A explicação mais comum para a frase é menê - contou, numerou, tequêl, pesou, ufarsin, e dividiu. O U desta última palavra é a conjunção em hebraico.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Por que a esquerda está com raiva da Igreja?

Prezados, dez leitores, este é um texto longo. Se estás sem tempo, sugiro que...

Sinceramente, não ia escrever nada sobre este assunto. Mas ocorrências alheias à minha vontade me premem a fazê-lo. Ontem, um jornalista recifense decidiu tornar pública uma carta que enviou a Dilma, clamando, entre outras coisas, pelo enquadramento das igrejas. Em suas palavras não pagamos impostos, remamos contra a maré do progressismo e ainda queremos ditar como a sociedade deve se comportar. Que sejamos calados! Ele fez isso de maneira direta em seu blog [que não vou dar publicidade] e também num grupo mantido pela UFRPE, para alunos das mais diversas tendências, usando, inclusive palavras de baixo calão tais como:
E por falar em Feliciânus, chegou a hora de fechar o cerco contra as igrejas evangélicas, faculdade de charlatões, verdadeiras organizações criminosas, lavanderias financeiras, trampolins para o poder. Há de se punir quem desrespeita o Estado Laico, quem ataca as minorias e é contra as liberdades. Há de se extinguir a profissão de fiscal de c.., sobretudo.
No dia 26, Antonio Prata, colunista da Folha de São Paulo, já nos tinha equiparado, a nós evangélicos, à direita raivosa que, segundo suas palavras, mata gays, ofende negros, é machista e racista, condena o aborto, entre outros adjetivos mais auspiciosos. Jogou todo mundo no mesmo saco e lavou as mãos. O Sakamoto já tem sua cadeira cativa neste quesito. Fora comentários os mais diversos aqui e ali nas redes sociais.

No início da campanha Marina já havia sido espinafrada. Nem mesmo a publicação de seu programa de Governo, com itens que agradavam às esquerdas, amainou o debate. O jornalista de Recife estava arrepiado, com medo de um retrocesso nas conquistas como veremos adiante. É brincadeira?

Paralelamente, irmãos aqui e acolá se prestam a ser ventríloquos dos petistas e seu séquito. Uns inocentes úteis acham que a pauta de tais pessoas é apenas a eleição. E não é. De fato, a grande esquerda hoje tem quatro reivindicações fundamentais:
  1. Aborto
  2. Homofobia
  3. Fim do capitalismo
  4. Descriminalização das drogas
E nenhum delas combina com a Igreja, ao menos com o verdadeiro Corpo de Cristo aqui na Terra. Ou perdi alguma lição?

É verdade que Dilma foi reeleita. Isso deveria bastar às hostes, mas eles não se contentam com algumas coisas importantes que aconteceram nesta eleição:

1) Esquerdista de verdade não quer nada menos que a gratidão. Se Dilma dá o Bolsa Família, porque há de haver alguém no Brasil que não quer votar nela? Os inocentes úteis de que falei não entendem que estão defendendo o benefício, para que o projeto como um todo se firme. Ou seja, enquanto irmãos nossos entram na mesquinharia da defesa do Bolsa Família, dos nordestinos, do pobres do Nordeste e outras conversas fiadas desta natureza, que são cortinas de fumaça dos grandes problemas, os chefões sorriem manobrando a massa, para fazer vingar seu projeto de poder. Jogando uns contra os outros acuam aqueles que entendem, acertadamente, que minorar a fome e a pobreza não é generosidade de Lula ou Dilma é obrigação dos políticos que elegemos e pagamos muito bem para gerir nosso dinheiro. E, por razões óbvias, os necessitados não podem ficar eternamente dependentes do Governo. Essa dependência já foi alvo, inclusive, de crítica do próprio Lula[1];

2) A manifestação de algumas pautas conservadoras. Para um esquerdista nato a manifestação de Silas Malafaia não tem legitimidade, porque ele não é um beneficiado direto do Poder e porque acredita em coisas diferentes. Trocando em miúdos, Silas deveria ficar calado, pois do contrário fere o quanto Dilma em seu projeto progressista é magnânima! Falar de Lula, por outro lado, equivale a falar do povo. A esquerda é donatária do povo e sabe o que é bom para ele, do outro lado fica a elite [se bem que vi, e ainda vejo, tantos carros de luxo com os adesivos da petista]. De dia eles fazem o comício, se embrenham entre as pessoas e, de noite, dormem em caros apartamentos à beira mar. São intocáveis! Lula pode, por exemplo, falar que Pelotas é uma cidade exportadora de gays[2], e ninguém vai criticá-lo. É como os gays que quando querem desancar Feliciano o chamam de bicha!?

3) Igreja não tem voz. Ou não deveria ter. Entendem? Igreja não é gente, pastor não é cidadão. Fala de Bíblia, de anjos, de querubins, coisas espirituais, etc. Quantos não me lembraram disso enquanto publicava itens sobre os candidatos no meu Facebook? Fui obrigado a lembrar que pago imposto como qualquer outra pessoa, sofrerei os efeitos dos votos dos demais, vivo no mesmo País, sofro em suas estradas esburacadas, percebo a inflação em minhas compras, sou vítima dos juros altos, pressinto a manipulação da pobreza. Por essas e outras não apenas devo opinar, como me resguardo o direito de fazê-lo. Com as redes sociais a penetração é maciça. E isso não incomoda apenas aos candidatos, mas a seus defensores;

4) O renascimento do contraditório. O PT e seus associados passaram muito tempo na militância. E imaginavam que os discordantes jamais se uniriam. O resultado é que uma grande onda apoiou Aécio não porque seu programa discordasse radicalmente do petismo [a não ser no plano econômico], mas porque encarnava a mudança que esperamos há tantos anos, algo diferente. Eu votei em Lula, confesso tristemente, em seu primeiro mandato, justamente porque esperava que ele transformasse o Brasil. E ele até fez algumas coisas neste sentido, mas elevando a corrupção a um nível nunca antes alcançado na história deste País. Aí não dá! As pessoas não entendem que investir no Nordeste, por exemplo, não credencia ninguém a meter a mão na Petrobrás! Não há nenhuma relação de causa e efeito. Pelo contrário... Leiamos como o jornalista de que falei encarou o surgimento de uma militância do contra PT (grifos meus):
Durante o período que antecedeu o segundo turno eleitoral, vi como se bipolarizaram as opiniões sobre política, entre os alienados raivosos que nunca haviam militado politicamente por nada, eleitores de Aécio, e nós, os petralhas, os supostos defensores da corrupção.
Me assustei com  o ódio dessas pessoas, com os argumentos desconexos, ignorantes, preconceituosos, além do desconhecimento da história e descomprometimento com a vida política do país. Fiquei apavorado com a possibilidade dos ideais dessa gente encontrarem um representante fiel.
Ele não se assustou com o desvio de estimados 10 bilhões da Petrobrás. Mas com os argumentos contra a bondade de Dilma e cia ou porque surgiram pessoas que acreditavam em outro candidato e manifestavam sua opção, isso, sim, é muito grave! Em suas palavras, só pode fazer isso quem já tem uma longa trajetória de militância política. Mas, detalhe: se essa militância não for em partidos de esquerda, nem militância é! O simples ato de votar não basta. Ocorre que é esse o motor da democracia, qualquer pessoa pode ter opinião própria. Democracia a favor ou com opinião única é ditadura! Simples como 2 + 2 = 4.

Para não me alongar muito, muitos de nós colaborou com a seguinte situação: Dilma está eleita, a esquerda daquela pauta acima e tantas outras ameaçadoras vai colocar suas teses em ação e só poderemos reagir daqui há quatro anos. Eles poderão, inclusive, implementar determinadas ações contra a Igreja, destilando seu ódio outrora contido sob a ânsia de ganhar nossos votos. Ouvi de pastores pedindo votos para ela de púlpito. Olha para os pobres, ajuda o Nordeste, fez isso ou aquilo, e esquecendo o essencial: a esquerda está solapando nossa democracia! Conheço pastores que não sabem até hoje o teor do Projeto de Lei 122/2006 e do agora famoso Decreto 8.243, são presas fáceis do messianismo petista.

Então, não é porque o Bolsa Família acabaria [afinal Aécio se comprometeu em dar continuidade ao programa, do qual poderia também se beneficiar eleitoralmente mais adiante], porque o Nordeste é isso ou aquilo. Abram os olhos, eles estão fazendo a festa, enquanto muitos de nós bancam o idiota e nos digladiamos. Dilma agora diz que vai apurar as falcatruas da Petrobrás, amanhã deveríamos estar no Palácio ou em nossos Faces com frase do tipo: Ganhou? Agora vamos trabalhar! Se elegeu? Então nos preste conta!

No Brasil nós pagamos bem e damos as melhores mordomias para alguém que será nosso gerente. Ele/ela permite que sejamos roubados, omitem informações importantes [como ela fez com Cuba, que muitos inocentes babavam: FHC também emprestou, como se o sigilo da operação de agora, até para o Senado, fosse algo irrelevante]. Depois beijamos seus pés e permitimos que batam em nossa cara?

Finalizo relembrando que diversos outros jornalistas como aquele supracitado fariam o mesmo, é um método, não uma coincidência! E vamos parar com essa discussão boba, a verdade é que roubaram nossa bolsa, depois viraram para o outro lado da rua e gritaram: Pega ladrão! E ainda estamos olhando para o lugar errado...

Ps: Leio agora no UOL que Dilma vai se empenhar pela criminalização da homofobia. E o novo mandato nem começou...

[1]https://www.youtube.com/watch?v=83WUqpvddq8
[2]https://www.youtube.com/watch?v=hubUjBVo1VQ

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sete razões pelas quais não voto em Dilma


1) Porque ela representa a esquerda. Esse pessoal tem se revelado contrário aos ensinamentos da Palavra de Deus. O apoio ao aborto, ao casamento de pessoas do mesmo sexo, sentimento negativo em relação às igrejas em geral, espaço fértil para o ateísmo. Muitos não entendem, mas a lógica petista e esquerdista é que não pode haver concorrentes com o modo de pensar do grupo. Assim se um militante tiver de optar entre a Bíblia e as ideias de Marx, ele não piscará duas vezes. Outro aspecto importante da esquerda é seu menosprezo pela democracia. Na verdade eles pensam que as pessoas em geral não sabem decidir seu futuro, então o partido encarnaria o papel de tutor da vontade popular. O próprio site do partido, há pouco mais de uma semana, abriga um artigo do petista Nilmário Miranda, no qual lamenta a eleição dos deputados evangélicos. Compreendo que alguns dos valores esquerdistas são também compartilhados por Aécio, mas todos aqueles que os encarnam verdadeiramente estão do lado de Dilma, nesta eleição.

O que dizer do flerte do Governo Federal com os black blocks? Com o MST? É assustador saber que um ministro de Dilma fez/faz reuniões com ditos movimentos sociais, que nada mais são que sumidouros de dinheiro público para promover a baderna e a humilhação da população e com isso apresentar as propostas do partido;

2) Porque ela foi omissa com nossas fronteiras. A Bolívia produz coca, segundo Evo Morales, para o povo boliviano mascar, como costume ancestral. Mas a produção é intensa e sobra muitas vezes o dobro do que daria para todo o povo daquele País. Resultado: é exportada para a fabricação da cocaína e do crack, que tantos males causam aos nossos jovens. O Exército foi desarticulado (até mesmo por medo de um levante nos quartéis), a Polícia Federal sofre diminuição do investimento e nossas fronteiras estão desprotegidas. Dos 14 VANTs (Veículo Aéreo Não Tripulado) prometidos em 2010, na campanha de Dilma à eleição, somente quatro foram entregues e não há informações atualizadas sobre sua utilização. Leiamos a reportagem da Veja, em 29/05/2010, grifos meus:
Com o auxílio do dinheiro dos contribuintes brasileiros, ficará ainda mais fácil para os traficantes colocar cocaína e crack nas ruas das nossas cidades. Em agosto do ano passado, na Bolívia, o presidente Lula, enfeitado com um colar de folhas de coca, prometeu um empréstimo de 332 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a rodovia Villa Tunari-San Ignacio de Moxos. Na ocasião, a segurança de Lula não foi feita por policiais, mas por centenas de cocaleiros armados com bastões envoltos em esparadrapo. Com 60 000 habitantes, a cidade de Villa Tunari é o principal centro urbano de Chapare. A rodovia, apelidada pelos bolivianos de “estrada da coca”, cruzará as áreas de cultivo da planta e, teoricamente, deveria fazer parte de um corredor bioceânico ligando o porto chileno de Iquique, no Pacífico, ao Atlântico. Como só garantiu financiamento para o trecho cocaleiro, a curto prazo a estrada vai favorecer principalmente o transporte de cocaína para o Brasil. O próprio BNDES não aponta um objetivo estratégico para a obra, apenas a intenção de “financiar as exportações de bens e serviços brasileiros que serão utilizados na construção da rodovia, tendo como principal benefício a geração de empregos e renda no Brasil”. Traduzindo: emprestar dinheiro para a obra vai fazer com que insumos como máquinas ou asfalto sejam comprados no Brasil. O mesmo efeito econômico, contudo, seria atingido se o financiamento fosse para uma obra em território nacional[1]. 
Eis a razão para ouvirmos tanto falar de drogas, cada vez mais perto de nós;

3) Porque sua política de combate às drogas foi fraca e vacilante. Na campanha passada Dilma prometeu um programa contra o crack. Previa um atendimento digno para os viciados e o encaminhamento para clínicas de desintoxicação. Passados quatro anos, nada saiu do papel. Alguns desbravadores da área foram até ameaçados de ter suas portas fechadas, por não poder fazer frente às exigências do Governo Federal e por usarem a religião como elemento de ajuda para a saída do vício. Especialistas esquerdistas torcem o nariz para a utilização da Bíblia, orações e cânticos em comunidades religiosas que tratam os viciados. O exemplo mais acabado da atuação governamental petista ganhou um projeto piloto na Prefeitura de São Paulo, quando o prefeito, Fernando Haddad, passou a premiar com dinheiro os viciados. As cracolândias se espalharam pela cidade e agora a população se vê ameaçada pelos viciados por todo lado;

4) Porque houve um aumento da criminalidade. As estatísticas falam em 50.000 pessoas mortas por ano com a violência no País. Apenas oito por cento dos crimes são investigados! Claro que uma parte do problema é dos Estados e municípios, mas nunca houve uma preocupação efetiva do Governo Federal nestes últimos doze anos com políticas de contenção. Os presídios federais prometidos ficaram no papel e os que temos estão superlotados. O próprio ministro da Justiça afirmou que preferia morrer a ficar preso num deles[5].

Pior é a violência palpável, sub-notificada nos registros policiais. A sensação de insegurança é total para a maioria dos cidadãos. Por falar em drogas, neste momento calmas cidades interioranas estão sendo invadidas por zumbis, viciados em crack e cocaína. Enquanto a violência se alastra a preocupação federal se restringiu a grupos influentes como o LGBT, índios, quilombolas e outros. Um presidente que pense o Brasil, deve pensar em todos. Este, aliás, é outro ranço da esquerda, segmentar para poder opor uns contra os outros e apresentar-se como o salvador da Pátria, exatamente como faz Lula.

Parte do problema do aumento da criminalidade é reflexo da parca qualidade de nossa educação. Estamos na rabeira de todos os índices confiáveis. Na América Latina diversos vizinhos nos ultrapassaram. Agora a proposta de Dilma é reduzir as matérias (são 12), enquanto isso o mundo todo corre atrás do ensino integral. Eu falei ensino, não encheção de linguiça. Pasmem, uma das razões pelas quais o Brasil tem poucos trabalhos científicos publicados internacionalmente é porque não há investimento adequado no ensino de inglês em nossas faculdades públicas! Tente fazer um mestrado à noite, numa faculdade pública brasileira!

5) Porque a corrupção se generalizou. E a sensação de impunidade também. Nos governos do PMDB e do PSDB ouvíamos falar de milhões de reais desviados aqui e acolá. Não duvido de tais números. Mas no PT ouvimos falar em bilhões. Somente no último escândalo que é a Operação Lava Jato, o Ministério Público estima os desvios em R$ 10 bilhões! Dúvidas[2]:


Embora alguns dos líderes petistas tenham sido presos, o partido evoca para eles a condição de mártires, de perseguidos políticos. E o maior beneficiário, Lula, nunca foi processado. Outras reportagens dão conta que o fluxo de dinheiro desviado vai e vem também para fora do País, via acordos inescrupulosos com governos aliados. Quem não lembra a reportagem abaixo[3]:


Donde concluímos que a julgar pelas reportagens a sensação é de corrupção generalizada. A marca registrada deste Governo é o superfaturamento e o atraso das obras. Atrasam para poder faturar mais através de aditivos sem fim e sem justificativa.

Mas ainda cabe outro raciocínio aqui. Imagine todo esse dinheiro desviado investido no Brasil, em obras públicas de qualidade? Certamente teríamos outro país. De modo que a corrupção atrapalha a vida de todos nós;

6) Porque ela nada fez contra a burocracia governamental. Ora este é um dos maiores problemas brasileiros. Muitos mortais não sabem, mas as empresas não gastam apenas muito dinheiro em tributos sem retorno, elas gastam mais dinheiro ainda com as obrigações acessórios, registros contábeis, etc. Apenas para que o Governo exerça seu papel discricionário, no qual ele impõe o que quiser. Nem Lula, nem Dilma, nunca se preocuparam com algo como o Imposto Único. O Simples, por exemplo, só rebaixou a alíquota, mas há uma infinidade de papéis a serem enviados todo mês para o Fisco. O tributarista Alfredo Augusto Becker definiu o sistema tributário brasileiro como manicômio tributário! Leiam mais[4]:
Uma empresa brasileira gasta 2600 horas por ano com os trâmites burocráticos para pagar seus impostos, segundo o Banco Mundial. É o pior resultado entre 189 países analisados. A comparação com a média da OCDE – de 175 horas - pode parecer covardia, mas mesmo países famosos por sua ineficiência burocrática fazem o Brasil comer poeira nesse quesito. Na Bolívia, por exemplo, as empresas gastam 1025 horas com o pagamento de impostos. Na Nigéria, 956 horas, na Líbia, 889 horas e, na Venezuela, 792 horas, três vezes menos que no Brasil. O sistema brasileiro também é marcado pela cumulatividade – os famosos "impostos em cascata" – e pela volatilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), desde a Constituição de 88, união, estados e municípios editaram 320 mil normas modificando matéria tributária no Brasil – uma média de 33 por dia.
Uma das grandes obras de Dilma no quesito foi a criação de 39 ministérios! Há ministros que este ano ainda não se reuniu com a presidente, para apresentar questões de sua pasta.

Não há, por outro lado, estímulo à criação e ao empreendedorismo. No Brasil quem empreende o faz por conta própria. Tente abrir uma conta para sua microempresa nos bancos oficiais, a burocracia é imensa. No BNB, até dias atrás, se pedia R$ 2.000,00 para abrir uma conta de pessoa jurídica para microempresa. Como alguém que está começando do zero pode dispor desse dinheiro de imediato?

7) Privatização da pobreza. Uma característica distintiva da esquerda é se querer dona dos pobres, pois igualitária. É uma atitude charmosa e com forte apelo midiático. Nada contra os pobres, eles precisam de ajuda mesmo. Uma pessoa não pode é ficar eternamente dependente do Estado, a menos que inválido ou idoso. Dilma alega ter tirado 36 milhões da pobreza e levado 42 milhões para a classe média, mas como ainda existem 50 milhões de beneficiários do Bolsa Família? O IBGE estima que hajam 79 milhões de pessoas economicamente ativas no Brasil. Quantos sobraram? Ninguém? E as crianças e adolescentes filhas da população economicamente ativa e que não se encaixam no programa? E dos que saíram da pobreza? Algo está errado nestas contas.

Mas não podemos esquecer da porta de saída. Sim, é preciso que as pessoas saiam da dependência para a independência, construindo um futuro digno e suado. Não podemos esquecer, também, que o dinheiro tem uma fonte de financiamento: os impostos. O que mantém a jogada funcionando é a fartura de impostos, que acabam onerando os mais pobres também [Viu por que eles não simplificam a tributação?]. Certamente com menos impostos teríamos mais investimento e menos desemprego. Consequentemente menos pobreza. Mas essa não parece ser a preocupação. Eles querem manter os pobres em eterna dependência, para poder capitalizar em cima de suas necessidades. Aterrorizando com a retirada das bolsas que só escravizam nossa população. E este é o pensamento do próprio Lula antes de chegar ao poder, senão vejamos:



Tenho certeza absoluta que Aécio não é o elixir da vida, mas espero que com a alternância de poder algumas das questões abordadas neste post sejam encaradas. Com Dilma, a certeza que tenho é que tudo vai ficar como está!

A lista pode crescer a qualquer momento...

[1] http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-dever-do-jornalismo-bndes-financia-estrada-na-bolivia-que-facilita-o-trafico-de-cocaina-para-o-brasil/
[2] http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/10/acusados-de-lavar-dinheiro-desviado-da-petrobras-sao-interrogados.html
[3] http://veja.abril.com.br/021105/p_046.html
[4] http://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2014/10/08/por-que-e-tao-dificil-acabar-com-o-manicomio-tributario-brasileiro.htm
[5] http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/11/ministro-da-justica-diz-que-preferia-morrer-ficar-preso-por-anos-no-pais.html

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Deveríamos votar em Dilma por gratidão?


Prezados dez leitores, estamos às vésperas de uma eleição. Uma coisa me incomoda nos argumentos que dizem os presidenciáveis, especialmente os petistas: deveríamos votar neles por gratidão. Ora, votar é um dever, determinado pela Constituição Federal e ampliado pela legislação pertinente. Claro, claro, que numa democracia ideal votaria quem quisesse. Mas ainda estamos aprendendo... Mas, votar por gratidão!?

A gratidão é um dos sentimentos humanos mais nobres. Não creio que se aplique aqui o raciocínio. Primeiro, os governos existem para, entre outras coisas, administrar nossos impostos, revertendo em investimento para o bem de todos. E devem fazê-lo por obrigação e com a máxima transparência, afinal o dinheiro não é deles. E são as pessoas que elegemos que se oferecem para fazer isso. Ninguém se candidata por obrigação!

Os senhores de engenho mantinham seus escravos, lhes davam roupas, alimento, dormida. E achavam que eles lhe deveriam ser gratos pois estariam numa situação muito pior sem seu amparo. Quando um escravo era comprado, deveria, segundo o raciocínio, agradecer por não ter de ficar mais tempo naquela vitrine horripilante. É uma sensação que não conseguimos superar.

Em segundo lugar, as notícias dão conta de inúmeros desvios. Bilhões e bilhões de reais foram desviados para o bolso de larápios e espertalhões. Em que deveríamos ser gratos a Dilma? Por ela ter permitido a roubalheira? Ora, vamos! Este apelo parece muito mais sentimentalismo piegas do que compreensão do que é uma eleição. Parece aquele prefeito que emprega parentes para que ninguém diga que deixou os seus na mão.

Terceiro, os cargos de presidente, deputado e senador são mantidos com as maiores regalias e prerrogativas. Esse pessoal flana acima de toda miséria, não raro acima de todas as leis. E ainda temos de ser gratos por fazerem alguma coisa pelo povo em geral no tempo livre? Eles é que deveriam nos agradecer de joelhos a boquinha que lhes damos.

É inegável o trabalho de Dilma e os progressos do País. Assim como é inegável que muito mais deveria ser feito. Imaginem se aquele dinheiro desviado dos diversos escândalos noticiados fosse aplicado nas necessidades do Brasil!? Como não estaríamos mais adiante. Daí a votar por obrigação de sermos gratos, paciência!

Dia desses um pastor amigo, uma pessoa mais ou menos esclarecida, me disse que se não votamos em determinado prefeito, não podemos cobrar depois de eleito melhorias para nosso bairro, por exemplo. Que é que é isso? Uma vez eleito é o prefeito de TODOS os munícipes, tenham votado nele ou não! Mas é justamente essa a percepção de muitas outras pessoas e dos próprios políticos. Reinaldo Azevedo informou em seu blog que Haddad, em São Paulo, aumentou o IPTU com percentual maior nos bairros aonde foi menos votado. É um absurdo!

Talvez nunca superemos a barreira que nos separa dos países verdadeiramente desenvolvidos. Leia aqui como vivem os políticos suecos, por exemplo, e a percepção que o povo em geral tem dos seus representantes naquele subdesenvolvido País.

sábado, 11 de outubro de 2014

O ocaso das igrejas que não se reciclam



Por mais que não queiramos uma igreja é uma organização social. Enquanto nas empresas se busca o lucro, nas igrejas o saldo entre entradas e saídas é carreado para o crescimento da própria organização. As crises variam em função desse crescimento. O gráfico abaixo chama-se Ciclo de Greiner. Demonstra em quais fases as crises são mais agudas, mas também como superá-las.


Nota-se que os empreendimentos começam sempre pequenos a partir da visão de seus fundadores. No primeiro estágio de crescimento ocorre a crise de liderança. Já não é mais possível liderar sozinho e o líder convive com a dificuldade de delegar tarefas. Algumas organizações não conseguem ultrapassar esse patamar, porque a centralização asfixia o progresso das operações. Noutras o líder compreende tal necessidade e de maneira organizada e gradual faz a transição.

No segundo estágio a crise é de autonomia. Com a delegação, líderes de áreas e departamentos tendem a tomar decisões sozinhos, afetando a dinâmica da organização. Algumas dessas influências são benéficas e até mesmo essenciais para o futuro dela. Nesta fase a igreja se reinventa, buscando atender através de seus ministérios internos as demandas dos membros.

Superado corretamente este estágio chegamos à crise de controle. Os processos saem do padrão, descaracterizando totalmente a administração. O crescimento delegado traz a necessidade de controlar o fluxo de informações, evitar os gargalos que atrapalham as ideias e, sobretudo, não perder o foco da organização.

Na quarta fase das crises o funcionamento da organização enfrenta a crise burocrática. Se a tentativa de padronizar os processos for mal conduzida, acaba por engessar os passos da organização. Decisões são mal tomadas ou não tramitam. As pendências se sobrepõem ao foco da organização. Tornam-se frequentes as críticas e as fadigas estruturais são expostas.

A última crise é reflexo do próprio crescimento da organização. Acaba por tornar tão monolíticas as decisões que o ambiente organizacional se torna insuportável. Se a estrutura não aguentar as demandas, a organização desmorona.

Infelizmente, as igrejas não estão imunes a tais crises. Apesar de estarem sob o controle divino, exercido através de suas lideranças, estão condenadas ao fracasso todas aquelas que não tendo consciência das mesmas nada fizerem para resolvê-las. A Igreja Católica já atravessou esta jornada muitas vezes, mas ela tem um diferencial a seu favor. É quase uma igreja única.

O contrário acontece com as igrejas evangélicas que se multiplicam em nosso País. Muitas já morreram porque não perceberam as mudanças necessárias a realizar, outras por não terem a mínima estrutura, ainda outras se fragmentaram. Este parece ser um caminho sem volta. Explodem as pequenas congregações, ministérios, comunidades e cultos isolados em casas aqui e acolá. Não é um movimento novo, mas deveríamos prestar um pouco mais de atenção.

Outras igrejas morrem em vida. É o famoso tens nome de que vives, mas está morto. Esse raciocínio de aplica tantos às igrejas de tijolo quanto às de carne. Todo cuidado é pouco... Se levarmos em conta que o problema nem sempre é dinheiro, aí ganha ares de alarme.